A
PRECIOSA E INDISPENSÁVEL BENÇÃO DE DEUS
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham
os que a constroem” (Sl 126,1).
Há um Salmo na Bíblia que nos dá um dos mais
preciosos ensinamentos para a nossa vida: “Se o Senhor não
edificar a casa, em vão trabalham os que a constroem. Se o
Senhor não guardar a cidade, debalde vigiam as sentinelas”
(Sl 126,1).
Não é por acaso que o título desse salmo é
“A fonte de todo bem”, isto é, a bênção
de Deus. Muitas vezes, nosso trabalho não produz o que esperamos
e nossas obras não dão o fruto que planejamos, porque
confiamos apenas em nós mesmos e nos esquecemos de pedir a
Bênção Daquele que é o Senhor de tudo e
de todos, e que “tem o mundo em Suas mãos”. Tantas
vezes Deus permite que nossos projetos fracassem para que aprendamos
que sem a Sua Bênção nada podemos fazer.
É próprio daquele que é humilde pedir a Bênção
de Deus para sua vida e atividades. Da mesma forma, é próprio
daquele que é orgulhoso e auto-suficiente contar apenas consigo
mesmo e esquecer-se da graça de Deus. Muitos, após inúmeros
sofrimentos e insucessos, acabam, pela própria graça
de Deus, encontrando a face do Senhor entre os acontecimentos da vida.
Outros, lamentavelmente, persistem em não querer ver a face
daquele que tudo criou.
“Deus não fala, mas tudo fala de Deus”. Basta olharmos
a natureza e ouviremos Sua voz. “São insensatos por natureza
todos os que desconheceram a Deus, e, através dos bens visíveis,
não souberam conhecer Aquele que é, nem reconhecer o
Artista, considerando suas obras” (Sb 13,1).
Ser humilde é reconhecer que “toda dádiva boa
e todo dom perfeito vem de cima: desce do Pai das luzes” (Tg
1,17) e que, portanto, não temos motivo algum para orgulho,
vaidade e auto-suficiência. Da mesma forma, ser humilde é
não se desesperar com a própria fraqueza, miséria
ou impotência, uma vez que se reconhece que toda a força
vem da bênção de Deus.
O livro dos Provérbios ensina que “Deus despreza os soberbos
mas concede a graça aos humildes” (Pr 3,34). Ele não
ouve a oração do soberbo e, conseqüentemente, não
lhe dá a Sua bênção. Por outro lado, Deus
ama aquele que reconhece a própria fraqueza, e lhe dá
a Sua graça.
Somente quando reconhecemos nossa pequenez é que podemos experimentar
em nós o poder de Deus. Foi o que o Senhor disse a São
Paulo: “Basta-te minha graça, porque é na fraqueza
que se revela totalmente a minha força” (II Cor 12,9).
Foi essa grande verdade, fruto da humildade, que levou o Apóstolo
a exclamar: “Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas,
para que habite em mim a força de Cristo” (II Cor 12,9b).
Vivemos
grande parte da vida preocupados com nossas responsabilidades como
pais, como profissionais, etc. Quando nos sentimos abalados e amedrontados
com nossas tarefas diárias, não será porque contamos
apenas com nós mesmos, esquecendo-nos da bênção
de Deus? Nossos fardos são por demais pesados para que os carreguemos
sozinhos. É preciso deixarmos que Deus os carregue para nós.
De que forma? Confiando-Lhe nossas obras, entregando-Lhe nossas preocupações,
confessando-Lhe nossa fraqueza e pedindo-Lhe Sua bênção
para tudo o que fizermos.
Além
disso, a melhor maneira de sermos copiosamente abençoados por
Deus é fazendo a Sua santa vontade, realizando todas as coisas
para Ele e por amor a Ele. É exatamente o que São Paulo
ensinou quando disse: “Tudo o que fizerdes, fazei-o de bom coração,
como para o Senhor e não para os homens, certos de que recebereis,
como recompensa, a herança das mãos do Senhor”
(Cl 3,23-24). Esta é a melhor maneira de atrair sobre nós
a bênção de Deus: trabalhar para Ele, qualquer
que seja a atividade que exercemos. Não importa qual seja o
nosso trabalho, pequeno ou grande; tudo deve ser bem feito, e, com
muito amor, oferecido ao Senhor como nossa agradável oferta
de cada dia.
O
mesmo salmo 126 ensina que: “É Inútil levantar-vos
antes da aurora, e retrasar até alta noite vosso descanso,
para comer o pão de um duro trabalho, pois Deus o dá
aos seus amados até durante o sono”. Quando estivermos
cansados e oprimidos pelo peso das nossas atividades, é o momento
de pararmos e perguntarmos a nós mesmos se não nos está
faltando a bênção de Deus. Se a resposta for sim,
devemos olhar para o céu e dizer ao Senhor, do fundo do coração:
“Daí-me a Vossa bênção! Não
me oculteis a Vossa face, para que eu não pereça.”
“Apressai-vos em me atender, Senhor, pois estou a ponto de desfalecer”
(Sl 142,7).
Prof. Felipe Aquino