Contudo,
é igualmente verdadeiro que a "criação
espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus"
(Rm 8,19).
Assim como
o pecado destrói a criação, esta é
também restaurada quando se fazem presentes "os filhos
de Deus", cuidando do mundo para que Deus seja tudo em todos
(cf. 1 Co 15, 28). O primeiro passo para uma reta relação
com o mundo que nos circunda é justamente o reconhecimento,
da parte do homem, da sua condição de criatura:
o homem não é Deus, mas a Sua imagem; por isso,
ele deve procurar tornar-se mais sensível à presença
de Deus naquilo que está ao seu redor: em todas as criaturas
e, especialmente, na pessoa humana há uma certa epifania
de Deus. «Quem sabe reconhecer no cosmos os reflexos do
rosto invisível do Criador, é levado a ter maior
amor pelas criaturas» (Bento XVI, Homilia na Solenidade
da Santíssima Mãe de Deus, 1º-01-2010).
O homem só
será capaz de respeitar as criaturas na medida em que tiver
no seu espírito um sentido pleno da vida; caso contrário,
será levado a desprezar-se a si mesmo e àquilo que
o circunda, a não ter respeito pelo ambiente em que vive,
pela criação. Por isso, a primeira ecologia a ser
defendida é a "ecologia humana" (cf. Bento XVI,
Encíclica Caritas in veritate, 51).
Ou seja, sem
uma clara defesa da vida humana, desde sua concepção
até a morte natural; sem uma defesa da família baseada
no matrimônio entre um homem e uma mulher; sem uma verdadeira
defesa daqueles que são excluídos e marginalizados
pela sociedade, sem esquecer, neste contexto, daqueles que perderam
tudo, vítimas de desastres naturais, nunca se poderá
falar de uma autêntica defesa do meio-ambiente.
Recordando
que o dever de cuidar do meio-ambiente é um imperativo
que nasce da consciência de que Deus confia a Sua criação
ao homem não para que este exerça sobre ela um domínio
arbitrário, mas que a conserve e cuide como um filho cuida
da herança de seu pai, e uma grande herança Deus
confiou aos brasileiros, de bom grado envio-lhes uma propiciadora
Bênção Apostólica.
Vaticano,
16 de fevereiro de 2011
BENEDICTUS PP XVI
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