novas situações
— inclusive as que exigem uma nova evangelização
— e animados pelo impulso missionário: «A missão
renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade cristãs,
dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações.
É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização
dos povos cristãos também encontrará inspiração
e apoio, no empenho pela missão universal» (João
Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 2).
Ide
e anunciai
Este objectivo reaviva-se continuamente através da celebração
da liturgia, em especial da Eucaristia, que se conclui sempre
evocando o mandato de Jesus ressuscitado aos Apóstolos:
«Ide...» (Mt 28, 19). A liturgia é sempre uma
chamada «do mundo» e um novo início «no
mundo» para testemunhar o que se experimentou: o poder salvífico
da Palavra de Deus, o poder salvífico do Mistério
pascal de Cristo. Todos aqueles que encontraram o Senhor ressuscitado
sentiram a necessidade de O anunciar aos outros, como fizeram
os dois discípulos de Emaús. Eles, depois de ter
reconhecido o Senhor ao partir o pão, «partiram imediatamente,
voltaram para Jerusalém e encontraram reunidos os onze»
e contaram o que lhes tinha acontecido pelo caminho (Lc 24, 33-35).
O Papa João Paulo II exortava a estarmos «vigilantes
e prontos para reconhecer o seu rosto e correr a levar aos nossos
irmãos o grande anúncio: “Vimos o Senhor”!»
(Carta ap. Novo millennio ineunte, 59).
A
todos
Todos os povos são destinatários do anúncio
do Evangelho. A Igreja «por sua natureza é missionária,
visto que, segundo o desígnio de Deus Pai, tem a sua origem
na missão do Filho e na missão do Espírito
Santo» (Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Ad gentes, 2). Esta é
«a graça e a vocação própria
da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar»
(Paulo vi, Exort. ap. Evangelii nutiandi, 14). Consequentemente,
nunca pode fechar-se em si mesma. Enraíza-se em determinados
lugares para ir além. A sua acção, em adesão
à palavra de Cristo e sob a influência da sua graça
e caridade, faz-se plena e actualmente presente a todos os homens
e a todos os povos para os conduzir rumo à fé em
Cristo (cf. Ad gentes, 5).Esta tarefa não perdeu a sua
urgência. Aliás, «a missão de Cristo
Redentor, confiada à Igreja, ainda está bem longe
do seu pleno cumprimento... uma visão de conjunto da humanidade
mostra que tal missão ainda está no começo
e que devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço»
(João Paulo II, Enc. Redemptoris missio, 1). Não
podemos permanecer tranquilos com o pensamento de que, depois
de dois mil anos, ainda existam povos que não conhecem
Cristo e ainda não ouviram a sua Mensagem de salvação.Não
só mas aumenta o número daqueles que, embora tendo
recebido o anúncio do Evangelho, o esqueceram e abandonaram,
já não se reconhecem na Igreja; e muitos âmbitos,
inclusive em sociedades tradicionalmente cristãs, hoje
são refratários a abrirem-se à palavra da
fé. Está em acto uma mudança cultural, alimentada
também pela globalização, de movimentos de
pensamento e de relativismo imperante, uma mudança que
leva a uma mentalidade e a um estilo de vida que prescindem da
Mensagem evangélica, como se Deus não existisse
e exaltam a busca do bem-estar, do lucro fácil, da carreira
e do sucesso como finalidade da vida, inclusive em detrimento
dos valores morais.
Co-responsabilidade
de todos
A missão universal envolve todos, tudo e sempre. O Evangelho
não é um bem exclusivo de quem o recebeu, mas é
um dom a partilhar, uma boa notícia a comunicar. E este
dom-empenho está confiado não só a algumas
pessoas, mas a todos os baptizados, os quais são «raça
eleita... nação santa, povo adquirido» (1
Pd 2, 9), para que proclame as suas obras maravilhosas.Estão
envolvidas também todas as suas actividades. A atenção
e a cooperação na obra evangelizadora da Igreja
no mundo não podem ser limitadas a alguns momentos ou ocasiões
particulares, e nem devem ser consideradas como uma das tantas
actividades pastorais: a dimensão missionária da
Igreja é essencial e, portanto, deve estar sempre presente.
É importante que tanto cada baptizado como as comunidades
eclesiais se interessem pela missão não de modo
esporádico e irregular, mas de maneira constante, como
forma de vida cristã. O próprio Dia Missionário
não é um momento isolado no decorrer do ano, mas
uma ocasião preciosa para nos determos e reflectirmos se
e como correspondemos à vocação missionária;
uma resposta essencial para a vida da Igreja.
Evangelização
global
A evangelização é um processo complexo e
inclui vários elementos. Entre estes, uma atenção
peculiar da parte da animação missionária
sempre foi dada à solidariedade. Este é também
um dos objectivos do Dia Missionário Mundial que, através
das Pontifícias Obras Missionárias, solicita a ajuda
para a realização das tarefas de evangelização
nos territórios de missão. Trata-se de apoiar instituições
necessárias para estabelecer e consolidar a Igreja mediante
os catequistas, os seminários, os sacerdotes; e também
de oferecer a própria contribuição para o
melhoramento das condições de vida das pessoas em
países nos quais são mais graves os fenómenos
de pobreza, subalimentação sobretudo infantil, doenças,
carência de serviços médicos e para a instrução.
Isto também faz parte da missão da Igreja. Anunciando
o Evangelho, ela toma a peito a vida humana em sentido pleno.
Não é aceitável, afirmava o Servo de Deus
Paulo VI, que na evangelização se descuidem os temas
relativos à promoção humana, à justiça
e à libertação de todas as formas de opressão,
obviamente no respeito pela autonomia da esfera política.
Não se interessar pelos problemas temporais da humanidade
significaria «esquecer a lição que vem do
Evangelho sobre o amor ao próximo que sofre e está
em necessidade» (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 31.34);
não estaria em sintonia com o comportamento de Jesus, o
qual «percorria as cidades e as aldeias, ensinando nas sinagogas,
proclamando a Boa Nova do Reino e curando todas as enfermidades
e doenças» (Mt 9, 35). Assim, através da participação
co-responsável na missão da Igreja, o cristão
torna-se construtor da comunhão, da paz, da solidariedade
que Cristo nos concedeu, e colabora para a realização
do plano salvífico de Deus para toda a humanidade. Os desafios
que ela encontra chamam os cristãos a caminhar juntamente
com os outros, e a missão faz parte integrante deste caminho
com todos. Nela conservamos, embora em vasos de barro, a nossa
vocação cristã, o tesouro inestimável
do Evangelho, o testemunho vivo de Jesus morto e ressuscitado,
encontrado e acreditado na Igreja.O Dia Missionário reavive
em cada um o desejo e a alegria de «ir» ao encontro
da humanidade levando Cristo a todos. Em seu nome concedo-vos
de coração a Bênção Apostólica,
em particular àqueles que mais trabalham e sofrem pelo
Evangelho.
Papa
Bento XVI