O grande
profeta Elias no Monte Horeb - isto é, o Sinai - assistiu
a uma onda de vento, então, um terremoto, e, por fim, flashes
de fogo, mas em nada disso reconheceu a voz de Deus, mas reconheceu-O
numa leve brisa (cf 1 Reis 19,11-13).
Deus fala no silêncio, mas é preciso saber escutar.
Por isso, os monastérios são oásis no qual
Deus fala a humanidade; e neles se encontram o claustro, um lugar
simbólico, porque é um espaço fechado, mas
aberto para o céu.
Amanhã
[quinta-feira, 11 de agosto], queridos amigos, faremos memória
de Santa Clara de Assis. Por isso, gostaria de recordar um destes
“oásis” do espírito, particularmente
querido para a família franciscana e para todos os cristãos:
o pequeno convento de São Damião, situado logo abaixo
da cidade de Assis, no meio de olivais inclinada em direção
a Santa Maria dos Anjos.
Nesta igrejinha,
a qual Francisco restaurou depois de sua conversão, Clara
e suas primeiras companheiras estabeleceram sua comunidade, vivendo
de oração e de pequenos trabalhos. Se chamavam as
“Irmãs Pobres”, e a forma de vida delas era
a mesma dos Frades Menores: “Observando o santo Evangelho
de nosso Senhor Jesus Cristo (Regra de Santa Clara, I, 2), conservando
a união pela caridade recíproca (cfr ivi, X, 7)
e observando em particular a pobreza e a humildade vivida por
Jesus e sua santíssima Mãe (cfr ivi, XII, 13).
O silêncio
e a beleza do lugar no qual vive a comunidade monástica
– beleza simples e austera – constituem um reflexo
da harmonia espiritual que a comunidade mesma busca realizar.
O mundo está cheio destes "oásis do espírito",
alguns muito antigos, particularmente na Europa, outros recentes,
outros restaurados por novas comunidades.
Olhando as
coisas numa ótica espiritual, estes lugares do espírito
são estruturas importantes no mundo! E não é
por acaso que muitas pessoas, especialmente nos períodos
de pausa, visitam estes lugares e ali ficam por alguns dias: até
a alma, graças a Deus, tem suas exigências!
Recordemos,
assim, Santa Clara. Mas recordemos também outras figuras
de santos que nos chamam a importância de voltar o olhar
“às coisas do céu”, como Santa Edith
Stein, Teresa Benedita da Cruz, carmelitana, co-padroeira da Europa,
celebrada ontem [terça-feira, 9 de agosto].
E hoje, 10
de agosto, não podemos esquecer de São Lourenço,
diácono e mártir , com uma felicitação
especial aos romanos, que desde sempre o veneraram como um dos
seus padroeiros. E por fim, voltemos nosso olhar a Virgem Maria,
para que nos ensine a amar o silêncio e a oração.
Papa Bento XVI
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