Filhos
do Céu
Aquilo
que você está vivendo, o peso que você está
carregando, não é nada comparado a alegria que te
espera.
Em
março quando meu pai deu o seu último suspiro, eu
estava lá com ele, mas por covardia não tive coragem
de segurar na sua mão texperiilde; o dele, por medo de ver
agonia que ele estava vivendo.
Nove
de abril, terra boa no Paraná, recebi a noticia de que minha
irmã estava morta, e o dia 15 de dezembro o dia em que eu
comemorava o meu aniversário de ordenação,
a dor mais recente, quando o meu amigo Robinho (Cantores de Deus)
não conseguiu mais, o câncer foi maior que ele. E alguns
dias depois uma outra experiência que eu vivi, mas que não
quero falar aqui, mas em uma outra ocasião, meu amigo padre
Léo. Mas vou me prender nessas três...
Quando
alguém morre, levamos certo tempo, sem entender, sem acreditar.
Leva tempo para acontecer dentro de nós, a gente leva um
tempo dizendo ‘eu não acredito’. Você fica
o tempo todo ruminando aquele acontecimento, porque a vida leva
tempo para acontecer dentro de nós.
Nós
levamos tempo para organizar o luto, levamos tempo para descobrir
que aquela pessoa não faz mais parte da nossa vida mesmo.
E a gente começar a recolher no espaço que era dele
e nosso também, as coisas que ficaram.
Você
abre uma gaveta, e coisas pequenas, bobas, um bilhetinho, que antes
não teria valor nenhum, mas porque ele foi embora, foi revestido
por uma sacralidade que dinheiro no mundo que pague aquele bilhete.
Ai se alguém fizer uma limpeza nas nossas gavetas e começar
jogar fora o que pra nós é sacramental, porque é
um jeito que a gente tem de fazer o outro sobreviver.
Eu
comecei a entender e ajuntar com as várias oportunidades
que Deus me deu de viver a experiência do sábado santo.
Por isso eu quis contar essas três histórias para vocês
e proclamar essa palavra de São Paulo aos Romanos que diz:
“Porque para mim, tenho por certo, que os sofrimentos do tempo
presente não são para comparar com a glória
por vir a ser revelada em nós.”
Descubra
o que hoje lhe mata, descubra o que hoje lhe faz sofrer e você
de alguma maneira poderá intuir e descobrir aquilo que te
fará vencedor amanhã.
Há
duas formas de vivermos o processo da morte, ou o processo do sofrimento:
ou nós nos entregamos a ele, ou nós experimentamos
a ressurreição, que pode ser exalada aos poucos.
O
céu começa nas pedras, por isso, o Sábado Santo
é ainda tempo de silêncio e contemplação,
porque o nosso Mestre ainda está morto.
Os
discípulos viveram ontem, vamos voltar no tempo. Você
já tem a certeza da ressurreição, os discípulos
não tinham.
No
dia anterior os seus discípulos viram o seu Mestre ser morto.
Eles que tinham deixado tudo para segui-Lo, e de repente, Aquele
em quem eles colocaram sua esperança tinha morrido, por isso
eles voltam a suas vidas antigas, se reuniram para decidir o que
fazer de suas vidas, mas o que os evangelhos não contam é
que ao olharem uns para os outros, sentirão o perfume de
Cristo no ar.
É
impossível passar pela experiência com Jesus e sermos
iguais. Os discípulos se olharam e diziam: ‘...o perfume
de Cristo está no meio de nós’, e não
é possível que d’Aquele que fez tanto por nós,
não tenha ficado nada.Os discípulos só reconhecem
Jesus quando eles reconhecem quem eles são. Aquele que tem
o poder de te amar de verdade tem o poder de te fazer lembrar quem
você é.
Esta
promessa de São Paulo está enraizada na experiência
que eles tiveram com Jesus na dor, no sofrimento.
Descubra
na sua história o que você viveu, onde você não
se deixou viver a experiência do casulo. Assim como as árvores,
que tem que condensar todas as suas seivas para quando chegar a
primavera possam ter seiva para que as folhas sejam verdes.
Quantas
vezes rezamos pela cura daqueles que amamos, assim como rezamos
pela cura do padre Léo, quanta falta ele faz para nós!
E para você que teve a sua vida transformada por uma palavra
do padre Léo... Então ele morreu? Não! Porque
quando você vive essa palavra proclama por ele, quando você
faz brilhar a experiência daquilo que você aprendeu
com ele através da palavra, ele se torna vivo dentro de você.
Deus não está aí para realizar o que você
quer mas para o que você precisa! O que você precisa
que Deus faça na sua vida? A gente não sabe responder,
porque estamos ocupados demais em dizer o que queremos. Não
nasce cristão da noite para o dia, leva tempo, e filho do
céu nasce ‘parturiado’, não tem cesariana,
não nasce de maneira fácil. Filho do céu nasce
da pedra, do túmulo. Manhã de sábado é
manhã de preparo, não sepulte de qualquer jeito, não
passe pelo seu sofrimento de qualquer jeito, só vem a glória
se, de fato, mergulharmos no mistério da morte. Não
é para ficarmos na morte, mas devemos olhá-la de frente
para que ela não seja maior que nós.
Que
nessa manhã de espera e ressurreição você
não se esqueça que você é um filho do
Céu!
Pe Fábio de Melo